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Caixinha

Eu sei que te lembras de mim, ainda que te custe.
Eu sei que me lembro de ti, ainda que me custe.
Sob passos perdidos e fechados temos andado desencontrados,
E mesmo que a tua boca permaneça calada,
Eu sei,
Juro que sei.
E tu sabes?
Talvez tenhas caído no esquecimento de não relembrar.
Mas, memórias,
Bem, as memórias serão sempre a nossa caixinha de saudade,
O nosso refúgio,
algo que mais ninguém conhece ou detém.
E mesmo no momento em que o que mais queres é destruí-la,
Apercebes-te que ela não é de papel,
É apenas frágil,
Muito frágil,
Mas nunca conseguirás fazê-la desaparecer.
Complicado?
-É.
Difícil?
-Também.
E pior, é que nunca ninguém vai conseguir entender-te.
Nem tu próprio.
Morro de saudades todos os dias,
Dói, ai dói demais,
Mas sinceramente,
Tornou-se hábito, rotina,
Algo que a caixinha retém muito profundamente em si.
Pensei ter desistido um milhão de vezes,
Mas dou por mim todos os dias a querer o mesmo,
a pensar no mesmo, a sofrer pelo mesmo.
Não sei se me chame de fraca, ou...
Bem, é tudo muito diferente,
já nem me reconheço.
Sorrio com um enorme aperto bem dentro de mim,
Sufoco-me em lágrimas desesperadas.
Não, já nada é como antes,
e eu só queria um momento de...
Não sei porque te amo,
Não sei como não esqueço,
É, sou uma doida varrida mesmo.
Tenho andado perdida em sonhos...
Sonhos em que tu entras e não sais,
sonhos dos quais nunca quero acordar.
Sonho com palavras,
Sonho com gestos,
morrendo, sufocada no cheiro,
do teu perfume,
do teu cabelo,
do teu ar.
E confesso, eu não me importava de morrer assim.
Dou por mim a questionar-te todos os dias...
Será que pensas em mim?
Será que sentes a minha falta ?
E padeço pelo teu silêncio.
Não, nunca vou esquecer o teu abraço apertado,
o teu sorriso libertador.
"Eu nunca te vou largar."
Porque,
eu sei.
"Eu nunca te vou largar" - disseste,
um dia.
(Nota: Clica na imagem, caso pretendas fazer download).
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