Asas

Pensei ter esquecido tudo,
Mas isso tornara-me,
Uma alma vazia.

Quem sou eu,
Senão,
A minha história?

Dos muitos arranhões,
e feridas profundas,
Das tantas confissões,
e palavras mudas.

Sempre quis ser compreendida,
Sem me compreender,
Que senso era este,
O de pertencer?

Pertenço a mim,
A este corpo,
Sim,
Mas muito além,
Também.

As minhas asas,
Levam-me para lá,
E os meus pés,
Fazem-no sentir cá.

Fujo da despedida,
Por saber o que é perder,
Mas se eu não disser,
Como vais saber?

Pois é,
Eu não esqueci,
Mas talvez,
Me tenha ido,
E agora decidido,
Que hoje eu pertenço aqui.

(Onde sempre pertenci,
Que é de ti?)

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